Com alta do endividamento, inadimplência alcança recorde
Os números mostram que, mesmo com o recente ciclo de cortes na Selic, a taxa média de juros da economia interrompeu uma sequência de três meses de queda e subiu 0,2 ponto percentual em agosto, para 32,3% ao ano — um reflexo do crescimento de linhas mais arriscadas, como rotativo dos cartões de crédito e parcelamentos do cartão.
O crescimento da inadimplência e dos juros cobrados acontece em um momento em que o governo federal, às vésperas da eleição presidencial, lança uma terceira edição do Desenrola, programa de renegociação de dívidas dos consumidores. O Desenrola Brasil 3.0 prevê a aquisição e a reestruturação de dívidas com atraso entre dois e quatro anos e meio. Duas outras edições já tinham sido lançadas desde 2023. O foco agora será nas dívidas de cartão de crédito, nas modalidades parcelada e rotativa, e de crédito pessoal sem consignação em folha de até R$ 10 mil. A estimativa é que até 15 milhões de pessoas poderão ser beneficiadas, renegociando até R$ 150 bilhões em dívidas.
A composição dos dados revela que os brasileiros têm recorrido a modalidades mais caras e emergenciais de empréstimos. O caso mais alarmante é do rotativo do cartão, quando a pessoa não faz o pagamento integral da fatura. Entre as operações com recursos livres para pessoa física, o estoque de crédito do rotativo do cartão foi o que mais subiu em agosto contra julho, com alta de 4,8%.
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